quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Do dia que podia ter acabado nisso

- Duvido que alguém já tenha gostado de você o tanto quanto eu gosto!
- Duvida?
- Duvido!
- Que bom! Já eu é difícil saber... Entre tantos os amores que você já teve. Ainda deve ter um monte apaixonado por aí.
- É, mas você é o que eu escolhi.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

[Do amigo/observador sobre o novo casal]

Você fica linda com ele!
Fica mulher... Fica feliz...
Parece que infla.



(Fico, inflo e isso é tudo. Ou só um pouco).

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Dos ares meus

Me faço vento quando sopro o meu querer
querendo vê-lo rápido chegar até ali
aliviando a espera ao tocar o teu sofrer
que vira sempre um convite pra dormir

Te faço brisa pra que fique devagar
divagando sem ter pressa de partir
para onde meu vento vive a buscar
o meu motivo de respirar e de sorrir.

terça-feira, 8 de março de 2011


Em vista árida fez-se o mar
levando o pranto raso
à dor que desagua
em sutil leito de alívio,
como doce a derreter
em boca amarga.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Do dever ao prazer

A madrugada me prende num único e primeiro parágrafo esperando que o ponto final surja no fim tomando forma por si só.
Segurada pelo comprometimento, perco a briga com a Sra. Inspiração para dissertar palavras devidas.
Sob pressão não funciono. Sob pressão ela corre.
Na madrugada, desistimos. Por hoje.
E hoje, que é a mesma madrugada, ganhamos, Sra. Inspiração e eu, palavras para nos rechear sem presentear mais ninguém.
Palavras simples, mas de significados impublicáveis. Quase uma piada interna.
Internamente sorrimos então entre tantos minutos intermináveis, entre as linhas que nos cabe.
Entretanto, minutos de SABEDORIA.
Entrelinhas, minutos de FELICIDADE.

E devido a minha deficiência em publicar a palavra AMOR, deixo-o em linha separada.


( Do presente: "AMOR, se eu tivesse SABEDORIA pra dizer apenas três palavras chaves pra você neste momento, com certeza estaria em plena FELICIDADE.")

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

[Da fome dela à minha falta de apetite e o tão esperado diagnóstico]

Após um apelo do estômago dela, ela diz:

─ Eu preciso comer, porque meu estômago está numa briga louca aqui.
─ Não discuta com ele, só obedeça.
─ Idem! Ah não! O seu problema é que o seu não reclama, ? É comportado... Será que ele é mudo e a gente não sabe?
─ Olha, eu não nunca tinha pensado nisso! Acho que ele está em depressão... Resolveu se fechar para o mundo.
─ Coitado! E pra ajudar você nem bebe pra deixá-lo elegrinho e se soltar.
─ Ele desistiu de mim.
─ Terapia nele! Ajuda...
─ Se existe “boca do estômago” deve existir “cabeça do estômago”... Vou deitar no divã de bruço.
─ Mas pense: Ele não fala! Tem que fazer a leitura de expressões.
─ Acho que nem se expressar ele sabe.
─ Por outro lado a dona sabe muito bem, até é atriz.
─ Por isso que ele não me pede mais comida, porque ele sabe que eu quero viver de arte... Ele já está sabendo que a comida será pouca.
─ Pode ser! Mas ensina pra ele a língua de sinais, quem sabe ajuda? Ou ainda deixe um caderninho e caneta em vários móveis, aí ele passa e escreve igual o irmão da Miss Sunshine.
─ Ou então vai ver que eu estou precisando de uma paixão daquelas! Quem sabe meu estômago topa se alimentar de borboletas?
─ Verdade!
─ Vou ali me apaixonar e já venho.


(Participação especial de Flávia Macedo, a dos sonhos e ideias criativas).

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

De novo ano novo

Certa de que as convicções imperarão até janeiro que vem deposito ao universo toda minha carga de sonhos e pequenas vontades. Não vou cobrar dele as vontades de médio porte que lhe solicitei há doze meses. Talvez ele não tenha culpa desse delimitado tempo para novas conquistas que costumamos nos submeter.
E nesse nosso próprio limite temos o fácil vício de nos distrair e deixar amornar alguns sonhos e objetivos que só serão relembrados quando o calendário nos forçar a isso. Brinde. Queima de fogos. Respiramos e começamos de novo. De novo. E de novo...
Renovar as energias e se abastecer de novas esperanças somente a cada doze meses me parece um tanto torturante. Empurrar com a barriga até dezembro metas que podiam ser batalhadas para serem vencidas amanhã me soa num tom de covardia e preguiça. Se encher de empenho, boa vontade e fé nos primeiros dias do ano enquanto há possibilidade de renovar as energias a cada mês, semana ou dia.
Meus sonhos são para amanhã e o que não foi conquistado em doze meses continuará sendo trabalhado em lutas incessantes enquanto a eternidade me permitir.
Certa de que as convicções imperarão a cada novo amanhecer deposito ao universo toda minha carga de sonhos e pequenas vontades.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Experimentação de cena para peça Baal II

Prólogo

Palhaços que riem da morte gozando a vida e seus sabores
Equilibristas embriagados domados por adestradores
Aqui bailarinas tropeçam seus sonhos para saciar o insaciável
Matam a sede num gole de tormento boca de gosto intragável
O que vocês verão hoje é sentir da vida na canção e poesia que flutua
Em arquibancadas podres, a lona o céu e suas estrelas nuas
E podem entrar que tem poeta a engolir seus acordes afiados
Cantando a mulher alheia em troca de um corpo afogado
Mas quem aqui nunca quis morrer por estar apaixonado?
E venham ver o amor em suas performances sem pudores
O prazer à luz do dia em suas infinitas cores
Em quem aqui nunca desejou o amor a céu aberto neste circo de horrores?
Mas venham rápido, pois e espetáculo dura um infinito instante
Onde mentiras são vendidas a olhos de verdades distantes
Afinal, quem não desconfiou da mulher barbada disfarçada em corpo de homem amigo-amante?
Neste palco tem desejo selvagem com beijo na ponta do nariz
Tem a razão trocada por aventura e você o que me diz?
Vai dizer que não perderia seu juízo pra viver poeticamente feliz?
E nesse palco tem rosto pintado pra esconder a dor
E nessa dança tem passos errados? Tem sim senhor!
Mas quem aqui não trocaria de papel pra viver esse louco e estranho amor?
Sintam-se a vontade, o espetáculo já começou.


(Para Jéssica Lusia pelo desenterro de tal)

sábado, 25 de setembro de 2010


Haverá de um dia

o dia ser pleno
em seu curto tempo
de encanto efêmero.

Virá de ser canto
o tanto que torna atento
o julgar de ser pouco
tamanho acalento.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Do meu diário de bordo feito pelo papai V

Papai escreveu assim...

MINHAS PRIMEIRAS PALAVRINHAS CERTAS OU ERRADAS

badê=cobertor
taco=lâmpada/luz

ago=água
nelo=chinelo
fé=café

ins=nariz
lêla=orelha

bacinho=bracinho
beisa=cabeça
Tata=Fernanda
bainha=balinha

romiga=formiga

Lela=
Jackson
cenoinha=cenourinha

ramos=vamos

bito=baba/cuspe

Bibe=
Robson
remelho=vermelho

Dia 27/01/91 às 15:30 eu dei, pela primeira vez, um nó na fita da minha boneca Didi.


Então eu descobri que fazia muito tempo que não lia, pelo menos até o fim, esse meu diário que papai teve o zelo de atualizar e me surpreender...

Dia 01/09/2000 veio minha primeira menstruação;
Dia 19/01/2002 saiu a minha primeira espinha, abaixo do meu lábio inferior do lado direito. Meu irmão Lela apertou para mim. Chorei de dor.


E agora aguardo a próxima atualização nessas páginas amareladas escritas à tinta pelo homem mais incrível que já conheci. E sei que me surpreenderá com seu cuidado por observar minha história ao ponto de me tornar eterna por seus escritos e seu amor.

domingo, 15 de agosto de 2010

Do meu diário de bordo feito pelo papai IV

Papai escreveu assim...

- Dia 27/02/89 às 14:30h, fiquei sentada sozinha pela primeira vez;
- Dia 04/03/89 às 11:15h, eu furei ou furaram minhas orelhas. Quem me levou foi a tia Lia e ganhei um brinquinho vermelho;
- Dia 04/03/89 às 11:50h, fiquei em pé pela primeira vez. Quem me segurou foi meu irmão Binho. Logo em seguida fiquei de pé novamente sozinha. Levei um tremendo tombo. Chorei bastante;
- Dia 09/03/89 às 14:20h, comecei engatinha pela primeira vez. Engatinho deitada;
- Dia 15/03/89 às 09:15h, comecei a bater palminhas pela primeira vez;
- Dia 16/05/89 às 12:30h, eu mamei pela última vez na mamãe;
- Dia 06/06/89 às 22:37h, dei meus primeiros passinhos entre o papai e a mamãe;
- Dia 11/10/89 às 13:23h, eu comecei comer sozinha pela primeira vez;
-Dia 24/11/89 às 17:30h, foi um horror. Mamãe achou dois piolhos em minha cabeça pela primeira vez... Espero que seja a última.


Nota: Quinze anos depois as orelhas ficaram 7mm mais largas e, como toda criança normal, tive piolho outras vezes.


continua...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Do meu diário de bordo feito pelo papai III

Papai escreveu assim...

- Dia 29/01/89, domingo, às 13:15h, comecei chamar meu papai pela primeira vez. Foi só "Pa-Pa";
- Dia 29/01/89, domigo, papai encontrou meu primeiro dentinho;
- Dia 04/02/89, às 23:23h, vou conhecer meu avô. E também será a primeira vez que viajo de trem;
- Dia 14/02/89, vou pela primeira vez à Carlópolis. Embarcarei às 16:20h para conhecer meus tios e primos;
- Dia 14/02/89, às 15:30h, tomei meu primeiro banho na represa junto de papai, mamãe e meus irmãos;
- Dia 23/02/89, às 12:50h, levei meu primeiro tombo, foi da cama da mamãe;
- Dia 19/02/89, às 15:20h, pela primeira vez tomei banho de piscina junto de meus irmãos;
- Dia 25/02/89, às 15h, comecei a fazer funguinha pela primeira vez.


Nota: - Carlópolis é uma cidade do Paraná;
- Funguinha é uma caretinha fofa que todo bebê faz e todo adulto acha lindo.
MODO DE FAZER: Faça um bico de beijo, bicão. Franza o nariz e faça respiração cachorrinho com charme. Pronto! Está feita sua funguinha.


continua...