- Duvida?
- Duvido!
- Que bom! Já eu é difícil saber... Entre tantos os amores que você já teve. Ainda deve ter um monte apaixonado por aí.
[Da fome dela à minha falta de apetite e o tão esperado diagnóstico]
─ Eu preciso comer, porque meu estômago está numa briga louca aqui.
─ Não discuta com ele, só obedeça.
─ Idem! Ah não! O seu problema é que o seu não reclama, né? É comportado... Será que ele é mudo e a gente não sabe?
─ Olha, eu não nunca tinha pensado nisso! Acho que ele está em depressão... Resolveu se fechar para o mundo.
─ Coitado! E pra ajudar você nem bebe pra deixá-lo elegrinho e se soltar.
─ Ele desistiu de mim.
─ Terapia nele! Ajuda...
─ Se existe “boca do estômago” deve existir “cabeça do estômago”... Vou deitar no divã de bruço.
─ Mas pense: Ele não fala! Tem que fazer a leitura de expressões.
─ Acho que nem se expressar ele sabe.
─ Por outro lado a dona sabe muito bem, até é atriz.
─ Por isso que ele não me pede mais comida, porque ele sabe que eu quero viver de arte... Ele já está sabendo que a comida será pouca.
─ Pode ser! Mas ensina pra ele a língua de sinais, quem sabe ajuda? Ou ainda deixe um caderninho e caneta em vários móveis, aí ele passa e escreve igual o irmão da Miss Sunshine.
─ Ou então vai ver que eu estou precisando de uma paixão daquelas! Quem sabe meu estômago topa se alimentar de borboletas?
─ Verdade!
─ Vou ali me apaixonar e já venho.
(Participação especial de Flávia Macedo, a dos sonhos e ideias criativas).
Certa de que as convicções imperarão até janeiro que vem deposito ao universo toda minha carga de sonhos e pequenas vontades. Não vou cobrar dele as vontades de médio porte que lhe solicitei há doze meses. Talvez ele não tenha culpa desse delimitado tempo para novas conquistas que costumamos nos submeter.
E nesse nosso próprio limite temos o fácil vício de nos distrair e deixar amornar alguns sonhos e objetivos que só serão relembrados quando o calendário nos forçar a isso. Brinde. Queima de fogos. Respiramos e começamos de novo. De novo. E de novo...
Renovar as energias e se abastecer de novas esperanças somente a cada doze meses me parece um tanto torturante. Empurrar com a barriga até dezembro metas que podiam ser batalhadas para serem vencidas amanhã me soa num tom de covardia e preguiça. Se encher de empenho, boa vontade e fé nos primeiros dias do ano enquanto há possibilidade de renovar as energias a cada mês, semana ou dia.
Meus sonhos são para amanhã e o que não foi conquistado em doze meses continuará sendo trabalhado em lutas incessantes enquanto a eternidade me permitir.
Certa de que as convicções imperarão a cada novo amanhecer deposito ao universo toda minha carga de sonhos e pequenas vontades.
Prólogo
Palhaços que riem da morte gozando a vida e seus sabores
Equilibristas embriagados domados por adestradores
Aqui bailarinas tropeçam seus sonhos para saciar o insaciável
Matam a sede num gole de tormento boca de gosto intragável
O que vocês verão hoje é sentir da vida na canção e poesia que flutua
Em arquibancadas podres, a lona o céu e suas estrelas nuas
E podem entrar que tem poeta a engolir seus acordes afiados
Cantando a mulher alheia em troca de um corpo afogado
Mas quem aqui nunca quis morrer por estar apaixonado?
E venham ver o amor em suas performances sem pudores
O prazer à luz do dia em suas infinitas cores
Em quem aqui nunca desejou o amor a céu aberto neste circo de horrores?
Mas venham rápido, pois e espetáculo dura um infinito instante
Onde mentiras são vendidas a olhos de verdades distantes
Afinal, quem não desconfiou da mulher barbada disfarçada em corpo de homem amigo-amante?
Neste palco tem desejo selvagem com beijo na ponta do nariz
Tem a razão trocada por aventura e você o que me diz?
Vai dizer que não perderia seu juízo pra viver poeticamente feliz?
E nesse palco tem rosto pintado pra esconder a dor
E nessa dança tem passos errados? Tem sim senhor!
Mas quem aqui não trocaria de papel pra viver esse louco e estranho amor?
Sintam-se a vontade, o espetáculo já começou.
(Para Jéssica Lusia pelo desenterro de tal)
MINHAS PRIMEIRAS PALAVRINHAS CERTAS OU ERRADAS
badê=cobertor
taco=lâmpada/luz
ago=água
nelo=chinelo
fé=café
ins=nariz
lêla=orelha
bacinho=bracinho
beisa=cabeça
Tata=Fernanda
bainha=balinha
romiga=formiga
Lela=Jackson
cenoinha=cenourinha
ramos=vamos
bito=baba/cuspe
Bibe=Robson
remelho=vermelho
Dia 27/01/91 às 15:30 eu dei, pela primeira vez, um nó na fita da minha boneca Didi.
Dia 01/09/2000 veio minha primeira menstruação;
Dia 19/01/2002 saiu a minha primeira espinha, abaixo do meu lábio inferior do lado direito. Meu irmão Lela apertou para mim. Chorei de dor.
- Dia 27/02/89 às 14:30h, fiquei sentada sozinha pela primeira vez;
- Dia 04/03/89 às 11:15h, eu furei ou furaram minhas orelhas. Quem me levou foi a tia Lia e ganhei um brinquinho vermelho;
- Dia 04/03/89 às 11:50h, fiquei em pé pela primeira vez. Quem me segurou foi meu irmão Binho. Logo em seguida fiquei de pé novamente sozinha. Levei um tremendo tombo. Chorei bastante;
- Dia 09/03/89 às 14:20h, comecei engatinha pela primeira vez. Engatinho deitada;
- Dia 15/03/89 às 09:15h, comecei a bater palminhas pela primeira vez;
- Dia 16/05/89 às 12:30h, eu mamei pela última vez na mamãe;
- Dia 06/06/89 às 22:37h, dei meus primeiros passinhos entre o papai e a mamãe;
- Dia 11/10/89 às 13:23h, eu comecei comer sozinha pela primeira vez;
-Dia 24/11/89 às 17:30h, foi um horror. Mamãe achou dois piolhos em minha cabeça pela primeira vez... Espero que seja a última.
- Dia 29/01/89, domingo, às 13:15h, comecei chamar meu papai pela primeira vez. Foi só "Pa-Pa";
- Dia 29/01/89, domigo, papai encontrou meu primeiro dentinho;
- Dia 04/02/89, às 23:23h, vou conhecer meu avô. E também será a primeira vez que viajo de trem;
- Dia 14/02/89, vou pela primeira vez à Carlópolis. Embarcarei às 16:20h para conhecer meus tios e primos;
- Dia 14/02/89, às 15:30h, tomei meu primeiro banho na represa junto de papai, mamãe e meus irmãos;
- Dia 23/02/89, às 12:50h, levei meu primeiro tombo, foi da cama da mamãe;
- Dia 19/02/89, às 15:20h, pela primeira vez tomei banho de piscina junto de meus irmãos;
- Dia 25/02/89, às 15h, comecei a fazer funguinha pela primeira vez.